quarta-feira, maio 30, 2007

Varandas: ressalto máximo

As normas proíbem a existência de ressaltos superiores a 2cm no acesso à varanda? Caso a pedra de soleira tenha essa altura, isso obriga-nos a embutir a calha, o que não me parece boa ideia em termos de infiltrações…


De facto, as normas proíbem a existência de ressaltos superiores a 2cm no vão de acesso a varandas.

Em 2.1.1 exige-se que o edifício disponha de pelo menos um percurso acessível, que chegue a todos os seus espaços interiores e exteriores. Isto inclui as varandas, nos edifícios em geral.

Em nenhum ponto desse percurso acessível pode haver ressaltos superiores a 2cm – onde eles existam (soleiras, degraus, escadas) terá de haver uma forma alternativa de vencer o desnível (cfr. 4.8.2, alínea 3).

No caso particular da habitação, esta exigência é reforçada.

Refere-se em 3.3.8:

“Os vãos de entrada/saída do fogo, bem como de acesso a compartimentos, varandas, terraços e arrecadações, devem satisfazer o especificado na secção 4.9.”

Na Secção 4.9 (Portas incluídas no percurso acessível) lemos no ponto 4.9.8:

“Se nas portas existirem ressaltos de piso, calhas elevadas, batentes ou soleiras, não devem ter uma altura, medida relativamente ao piso adjacente, superior a 0,02m.”


O que fazer – um convite

Assumindo que tem de haver um desnível entre a varanda e o interior da habitação, a questão que se coloca é como gerir esse desnível.

Procurando soluções no âmbito da pormenorização e no âmbito das caixilharias disponíveis no mercado.


Não é fácil, mas certamente não há-de ser impossível.

Deve-se ter em conta, por um lado, que reduzir a altura da pedra de soleira ou embutir os caixilhos para os colocar de nível com essa pedra pode colocar sérios problemas em termos de infiltrações.

Mas também não podemos esquecer, por outro lado, que o mercado apresenta soluções cada vez mais diversas – uma colega já referiu numa acção de formação conhecer caixilhos que podem constituir uma solução interessante (mas não se lembrava do nome da marca…).

Parece-me mais produtivo, neste ponto, convidar os colegas a enviar sugestões ou a partilhar informações que considerem úteis através do e-mail deste blog (
acesso.portugal@gmail.com) ou da caixa de comentários deste texto.

Fica o desafio.


PHG 30MAI2007

4 comentários:

Fausto disse...

A Schüco possui um sistemas de portas de alumínio, a que dão o nome de "portas sem barreiras", que entre outros atributos não posui batente na soleira, usando um sistema de compressão de ar para garantir o fecho hermético. O preço esse, não é nada acessível!
Podem ver mais em: http://www.schueco.pt

Anónimo disse...

Provavelmente, a colocação de grelhas de escoamento imediatamente ao lado da caixilharia poderá ser a solução para o perfil embutido no chão.
Mais provavel ainda são os construtores imporem o desaparecimento das varandas...

Pedro Homem de Gouveia, Arq. disse...

Vi no projecto de um edifício de habitação colectiva uma solução interessante:

"O acesso á varanda é feito por portas de correr estando a caixilharia embutida na soleira. Para evitar o desnível necessário na soleira optou-se por instalar um pavimento secundário em deck de madeira, permeável, que nivela o pavimento da varanda com o interior e garante o escoamento necessário das águas pluviais."

António Geada, arqº. disse...

"Refere-se em 3.3.8:

.......

Na Secção 4.9 (Portas incluídas no percurso acessível) lemos no ponto 4.9.8:"

Em complemento ao meu anterior comentário transcreve aqui esta sua afirmação de 30 de Maio relativa a "Varandas: ressalto máximo" que parece ir ao encontro da minha tese em que o 4.9 num fogo apenas se aplica as portas integradas nos compartimentos integrados nos percursos acessiveis.

A. Geada
arquitecto